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terça-feira, 31 de maio de 2011

SETI começa a monitorar exoplanetas habitáveis

SETI começa a monitorar exoplanetas habitáveisExovida
Telescópio Espacial Keplerjá identificou mais de 1.200 exoplanetas em torno de estrelas em nossa galáxia.
Dentre esses, a recente confirmação do primeiro exoplaneta habitável, o Gliese 581d, parece mostrar que esses planetas constituem alvos privilegiados para novos estudos.
E é exatamente isto o que os astrônomos do projeto SETI, que procuram sinais de vida inteligente pelo universo, estão começando a fazer.
O grupo sediado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, está apontando um radiotelescópio para os mais promissores desses exoplanetas para ver se conseguem detectar algum sinal de civilização.
SETI@home
A pesquisa começou na semana passada, quando o maior telescópio manobrável do mundo - o Telescópio Green Bank - dedicou uma hora de pesquisa a oito estrelas que possuem ao seu redor os chamados KOI - Kepler Object of Interest, o indicador que os cientistas do telescópio Kepler atribuem aos exoplanetas que vão localizando.
O objetivo inicial é acumular 24 horas de observações, cobrindo 86 planetas com dimensões próximas às da Terra.
A seguir, a montanha de dados coletados nessas 24 horas será distribuída pelo mundo, através do projeto SETI@home, por meio do qual os chamados "cientistas-cidadãos" doam a capacidade ociosa de processamento de seus computadores para analisar dados científicos.
Estima-se que o processamento dos dados exigirá a contribuição de 1 milhão de computadores do SETI@home durante dois meses.
Alvos privilegiados
Foram selecionados para observação planetas com temperaturas entre zero e 100 graus Celsius.
"Não é absolutamente certo que todas essas estrelas têm sistemas planetários habitáveis, mas eles são lugares muito bons para procurar ETs," afirmou Andrew Siemion, um dos astrônomos do projeto.
O maior coletor de dados para o projeto SETI é o famoso radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico.
"Em Arecibo, nós nos concentramos em estrelas como o nosso Sol, esperando que elas tenham planetas ao seu redor que emitam sinais inteligentes", afirma. "Mas nunca tivemos uma lista de planetas como esta antes."

Hubble fotografa estrela que mudou o Universo

Hubble fotografa estrela que mudou o Universo  
Universo ilha
No início do século XX, os astrônomos entendiam que Via Láctea e Universo era a mesma coisa: tudo se resumia à nossa própria galáxia.
Vivíamos então em um "universo ilha".
Aquelas galáxias distantes que se pode ver no céu eram chamadas de "nebulosas espirais", e explicadas como sendo corpos mais distantes dentro da nossa própria galáxia.
Para saber com certeza se tais nebulosas faziam parte ou não da Via Láctea, era necessário encontrar nelas uma estrela com um brilho intrínseco conhecido, que pudesse ser usado para calcular sua distância da Terra.
Havia as explosões estelares, mas os astrônomos ainda não as compreendiam seus mecanismos o suficiente para usá-las como marcadores de distância.
Expandindo o Universo
Então, tudo mudou em 1923, quando o astrônomo Edwin Hubble descobriu uma estrela variável, uma Cefeida, que ele batizou de V1, localizada na "nebulosa espiral" de Andrômeda.
Os melhores cálculos da época estimavam que a Via Láctea tinha 300.000 anos-luz de diâmetro.
E os cálculos de Hubble mostraram que sua V1 estava a 1 milhão de anos-luz de distância.
Aquilo que era pensado como débeis nuvens situadas dentro de nossa própria galáxia eram, na verdade, outras galáxias.
E o Universo se tornou um lugar muito maior.
(O número hoje aceito para a Via Láctea é de 100.000 anos-luz de diâmetro e 30.000 anos-luz de altura.)
Universo que se expande
No prosseguimento de suas pesquisas, Hubble descobriu inúmeras outras galáxias.
Ao medir suas distâncias, ele finalmente descobriu que o Universo, ao contrário do que assegurava todo o "senso científico" da época, não é estático, mas está se expandindo.
Isto provavelmente coloque Edwin Hubble na categoria de único astrônomo a ter mudado nosso Universo duas vezes.
Dois Hubbles
Agora, quase 90 anos depois, o telescópio espacial que leva o nome do descobridor da Cefeida V1 fez uma campanha inédita de observação da estrela que expandiu nosso Universo - metaforicamente falando.
A Cefeida V1 é tida pelos astrônomos como a mais importante estrela da história da cosmologia.
Mostrando o tamanho do desafio vencido por Hubble, o astrônomo, a campanha de observação exigiu, além do Hubble, o telescópio, um time de astrônomos profissionais e a a colaboração impagável de 10 astrônomos amadores ao redor do mundo.
A Cefeida V1 não tem um ciclo de pulsos preciso - os astrônomos amadores capturaram quatro ciclos com duração maior do que os 31 dias do pulso típico da estrela.
O Telescópio Hubble viu um número muito maior de estrelas do que as registradas nas chapas de Edwin Hubble, muitas delas também variáveis.
As Cefeidas continuam sendo essenciais hoje, por exemplo, para o cálculo da idade do Universo.

domingo, 22 de maio de 2011

 

Astrónomos descobriram uma nova classe de planetas com o tamanho de Júpiter que flutuam sozinhos na escuridão do espaço, longe da luz de uma estrela. A equipa acredita que estes mundos solitários foram provavelmente expelidos a partir de sistemas planetários em desenvolvimento.
A descoberta tem por base uma investigação japonesa e neozelandesa, que estudou o centro da Via Láctea durante 2006 e 2007, revelando evidências de até 10 planetas livres, aproximadamente com a massa de Júpiter. Os corpos isolados, também conhecidos como planetas órfãos, são difíceis de avistar, e têm permanecido indetectáveis até agora. Os planetas recém-descobertos estão localizados a uma distância média aproximada que varia entre os 10.000 e 20.000 anos-luz.
"Embora a existência de planetas flutuantes já tivesse sido prevista, foram agora finalmente detectados, o que tem grandes implicações para a formação planetária e para os modelos de evolução estelar," afirma Mario Perez, cientista do programa de exoplanetas na sede da NASA em Washington.
A descoberta indica que existem muitos planetas flutuantes com a massa de Júpiter que não podem ser observados. A equipa estima que existam cerca de duas vezes mais planetas deste género que estrelas na Galáxia. Em adição, pensa-se que estes mundos sejam pelo menos tão comuns como os planetas que orbitam estrelas. Esta soma totaliza biliões de planetas solitários, só na nossa Via Láctea.
"O nosso estudo é um pouco parecido com os censos," afirma David Bennett, co-autor do estudo, da NASA, do NSF (National Science Foundation) e da Universidade de Notre Dame em South Bend, Indiana, USA. "Estudámos uma amostra da Galáxia, e com base nestes dados, pudemos estimar os números na Via Láctea."
O estudo, liderado por Takahiro Sumi da Universidade de Osaka no Japão, foi publicado na edição de 19 de Maio da revista Nature. Não é sensível a planetas mais pequenos que Júpiter e Saturno, mas as teorias sugerem que planetas de menor-massa como a Terra devem ser expelidos da sua estrela com mais frequência. Como resultado, pensa-se que sejam ainda mais comuns que os "Júpiteres flutuantes".
Observações anteriores avistaram um punhado de objectos solitários tipo-planeta dentro de regiões de formação estelar em enxames, com massas três vezes a de Júpiter. Mas os cientistas suspeitam que corpos gasosos se formem mais como estrelas do que como planetas. Estes corpos pequenos e ténues, chamados de anãs castanhas, crescem a partir de "bolas" de gás e poeira que colapsam, mas não têm massa suficiente para despoletar o seu combustível nuclear e brilhar. Pensa-se que as anãs castanhas mais pequenas tenham aproximadamente o tamanho de planetas gigantes.
Por outro lado, é provável que alguns destes planetas tenham sido expulsos dos seus sistemas solares turbulentos e primitivos, devido a encontros gravitacionais próximos com outros planetas ou estrelas. Sem uma estrela para orbitar, estes planetas movem-se pela Via Láctea tal como o nosso Sol e as outras estrelas, em órbitas estáveis e em torno do centro da Galáxia. A descoberta destes 10 planetas flutuantes suporta o cenário de expulsão, embora seja possível a existência de outros mecanismos.
"Se estes planetas foram formados como estrelas, então seria de esperar ver só um ou dois em vez de 10, afirma Bennett. "Os nossos resultados sugerem que os sistemas planetários têm por hábito tornar-se instáveis, com a expulsão de planetas a partir do seu local de nascimento."
As observações não podem excluir a possibilidade que alguns destes planetas possam ter órbitas muito distantes em torno de estrelas, mas outro estudo indica que planetas com a massa de Júpiter em tais órbitas distantes são raros.
O estudo MOA (Microlensing Observations in Astrophysics), tem em parte o nome de uma ave já extinta, e sem asas, originária da Nova Zelândia. Um telescópio de 1,8 metros no Observatório da Universidade Monte John na Nova Zelândia é usado regularmente para estudar estrelas no centro da nossa Galáxia em busca de eventos de microlentes gravitacionais. Estes ocorrem quando algo, tal como uma estrela ou um planeta, passa em frente de outra estrela mais distante. A gravidade do corpo em passagem distorce a luz da estrela de fundo, provocando a sua ampliação e aumento de brilho. Corpos mais pesados, tal como estrelas massivas, distorcem ainda mais a estrela de fundo, resultando em eventos que podem durar semanas. Corpos pequenos, como planetas, provocam menos distorção, e aumentam o brilho da estrela apenas por poucos dias.
Um segundo grupo que estuda microlentes, o OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment), contribuiu para esta descoberta usando um telescópio de 1,3 metros no Chile. O grupo OGLE também observou muitos dos mesmos eventos, e as suas observações confirmaram independentemente a análise do grupo MOA.

Pesquisadores divulgam dados de maior mapa 3D do universo

Para o empreendimento, os cientistas usaram luzes de 14 mil quasares, os maiores emissores de energia conhecidos



Cientistas divulgaram na segunda-feira, 2, os resultados da pesquisa de oscilação de espectroscopia Baryon (BOSS, em sua sigla em inglês) do Sloan Digital Sky Survey (SDSS-III), que realizou o maior mapa 3D do universo distante até o momento.
Para o empreendimento, os pesquisadores usaram as luzes de 14 mil quasares, os maiores emissores de energia do universo. O novo mapa foi apresentado na reunião de abril da Sociedade Americana para a Física, em Anaheim, Califórnia.
A escala de distância do novo mapa corresponde a um momento inicial do universo quando a distribuição de matéria era quase uniforme.

Estrela mais antiga do UNIVERSO


Cientistas descobrem estrela mais antiga do Universo


Lua cheia



Lua Cheia influencia desempenho de refletores na superfície lunar



A Lua Cheia sempre foi alvo das mais variadas superstições. Responsável direta pelo surgimento de lobisomens e outros misticismos, a Lua Cheia parece influenciar também nos instrumentos científicos e segundo os pesquisadores é a principal fonte de degradação dos refletores lasers instalados na superfície lunar.
Retrorefletor lunar Apollo 11
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Durante a segunda metade do século 20, cinco refletores foram colocados na face visível da Lua com o objetivo de rebater pulsos de luz laser disparados a partir de observatórios da Terra. Três desses instrumentos foram instalados pelos astronautas das missões Apollo 11, 14 e 15 e outros dois pelas naves automáticas Lunokhod 1 e 2, da antiga União Soviética.
Desde que foram instalados pela primeira vez em 1969 até os dias de hoje, inúmeros experimentos foram realizados pelos astrônomos, especialmente aqueles projetados para medir a distância da Terra até nosso satélite. De cada 100 quatrilhões de fótons emitidos em cada pulso de laser, apenas um retorna à Terra e mesmo assim somente se não houver nuvens ou partículas em seu caminho. Através desses experimentos os cientistas puderam confirmar que a Lua se afasta da Terra cerca de 38 milímetros por ano.
Entretanto, durante décadas de operação a performance dos refletores foi caindo, principalmente nos períodos de Lua Cheia.
Inicialmente, os refletores soviéticos eram até 25% mais fortes que os do Projeto Apollo, mas hoje estão bem mais fracos e o Lunokhod 1 já não reflete totalmente. No entanto, o maior mistério era entender o porquê dos refletores diminuírem a performance em quase 10 vezes durante a Lua Cheia.

Culpado
Antes de atribuir o fenômeno às forças sobrenaturais, duendes ou elfos, um grupo de pesquisadores liderados pelo cientista Tom Murphy, da Universidade da Califórnia começou a estudar o fenômeno e concluiu que o maior responsável pela degradação observada na refletividade dos instrumentos é a areia da superfície da Lua, que aquece ligeiramente durante os períodos da Lua Cheia.

Refletor Lunar Lunokhod 1
A pista para resolver o enigma surgiu durante observações feitas em um eclipse lunar total, quando a equipe de Murphy constatou que durante os 15 minutos do evento a eficiência dos refletores voltava aos níveis normais, mas caia fortemente após o eclipse.
De acordo com Murphy, a poeira aquecida nos refletores causa efeitos térmicos indesejáveis, que distorcem a geometria dos espelhos. Segundo o estudo, publicado no jornal científico Icarus, uma diferença de apenas quatro graus na temperatura do instrumento é suficiente para reduzir a refletividade por um fator de dez.
Além dos efeitos térmicos, Murphy e seus colaboradores também identificaram danos nos suportes de teflon causados por micrometeoritos, que podem ter depositado partículas de areia na parte traseira dos instrumentos.
Problemas
Os pesquisadores dizem que o efeito da Lua Cheia, como é chamado o fenômeno, é de vital importância para as futuras missões à Lua.
"As evidências da substancial perda no desempenho nos refletores devido à Lua Cheia mostram que é preciso levar em conta esse fator ao se projetar novos instrumentos para uso prolongado. Será necessária atenção especial em uma grande variedade de hardware espacial, principalmente os refletores lasers de última geração, telescópios e dispositivos óticos de comunicação que serão operados na Lua", disse Murphy.

Vida após a morte



Polêmico, Stephen Hawking afirma que não existe vida após a morte



Utilizando de sua grande popularidade e reputação, o físico britânico Stephen Hawking conseguiu novamente chamar a atenção. Em polêmica entrevista concedida ao jornal The Guardian, Hawking afirmou que a ideia de que há uma espécie de paraíso após a morte não passa de um "conto de fadas de gente que tem medo do escuro".

No entender do físico, a partir do momento que o ser humano morre e o cérebro deixa de funcionar, não existe mais nada a ser experimentado. "Considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida depois da morte para computadores", completou o pesquisador.
Durante a entrevista, o cientista disse que a doença neurodegenerativa que o afeta, chamada esclerose lateral amiotrófica, permitiu que ele passasse a aproveitar mais a vida, apesar das grandes limitações a que é submetido. "Durante os últimos 49 anos vivi com a perspectiva de uma morte prematura. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa alguma. Além disso, tenho muito coisa a fazer antes disso acontecer."
Apesar de não fazerem parte de qualquer trabalho acadêmico, as declarações de Hawking tem um peso bastante grande. O cientista é considerado por muitos como um dos maiores gênios contemporâneos e apesar de nunca ter sido laureado com um Prêmio Nobel, suas contribuições nas áreas de cosmologia teórica e gravidade quântica são inestimáveis.
Em 1971, Hawking provou o primeiro de muitos teoremas para a existência de uma singularidade no espaço-tempo e sugeriu a formação de primordiais ou miniburacos negros logo após o Big Bang. Junto dos físicos Bardeen e Carter propôs as quatro leis da mecânica do buraco negro, traçando um paralelo com as leis da termodinâmica. Em 1974 Hawking calculou que buracos negros deveriam criar ou emitir termicamente partículas subatômicas, que foram posteriormente batizadas de radiação Hawking. O cientista também foi o responsável, no início dos anos 80, pelos primeiros desenvolvimentos da teoria da inflação cósmica e junto dos pesquisadores Alan Guth, Andrei Linde e Paul Steinhardt propôs a solução dos principais problemas do modelo padrão do Big Bang.
Apesar da declaração sobre a inexistência de vida após a morte ser uma opinião pessoal, as afirmações do cientista incomodaram bastante outros pesquisadores, que acusam Hawking de tentar criar polêmicas para vender seus livros.
Em seu mais recente livro "The Grand Design", Hawking contradiz suas antigas declarações sobre a ideia de um criador e sugere que "Deus não tem mais lugar nas teorias sobre criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física". Neste livro, o cientista afirma que devido à existência da gravidade é possível que o universo crie a si próprio, a partir do nada. "A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada. É a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos".
Diversos pesquisadores, entretanto, aceitam com ressalvas as afirmações de Hawking, especialmente àqueles ligados aos experimentos em física de partículas. Segundo esses cientistas, Hawking "jogou pra galera", tentando novamente criar polêmica, já que não existem trabalhos conclusivos sobre a criação espontânea do universo e pesquisas nesse sentido estão apenas começando.

Terremoto


Terremoto de 5.8 graus atinge o oeste da Turquia





De acordo com dados recebidos da Rede Sismográfica Global (Iris-GSN), um terremoto de 5.8 graus de magnitude foi registrado na Turquia, as 17h15, pelo horário brasileiro (19/05/2011). O forte tremor ocorreu a 4 quilômetros de profundidade, abaixo das coordenadas 39.11N e 29.12E, a cerca de 53 km do noroeste de Usak e 332 km a oeste-sudoeste de Ankara. Não há informações sobre vítimas.



Devido a forte magnitude e a baixa profundidade em que ocorreu, este tremor tem potencial significativo de destruição e pode causar sérios danos em construções e até vítimas fatais caso tenha ocorrido próximo a locais populosos.

Um terremoto de 5.8 graus de magnitude libera a mesma energia que a detonação de 1 bomba atômica similar a que destruiu Hiroshima em 1945, ou a explosão de 12mil toneladas de TNT.

Importante: Esta notícia pode sofrer alterações ao longo do dia

Lua



Novos estudos mostram que a Lua tem núcleo igual ao da Terra



Utilizando modernas técnicas de sismologia aplicadas a antigos dados coletados pelas missões Apollo entre 1969 e 1972, pesquisadores estadunidenses confirmaram que a Lua tem núcleos similares aos terrestres. De acordo com os cientistas, Isso explicaria os sinais de magnetismo encontrados nas rochas trazidas pelos astronautas, além de confirmar que esse campo magnético também seria gerado através do efeito dínamo, da mesma maneira que ocorre na Terra.
sismômetro na Lua
De acordo com Renee Weber, ligada ao Centro Marshall de voos espaciais, da Nasa, as descobertas sugerem que a Lua possui um núcleo interno sólido rico em ferro, com cerca de 250 km de raio e um núcleo externo, composto principalmente de ferro líquido com 500 km de raio. O estudo indica que os núcleos também contem uma pequena porcentagem de elementos leves, como enxofre, concordando com as últimas pesquisas sobre o núcleo terrestre e que sugerem a presença de elementos leves na camada ao redor do núcleo interno.
Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram os dados coletados pelos instrumentos deixados na Lua durante as missões Apollo. Entre 1969 e 1972 os astronautas instalaram na superfície lunar quatro sismômetros que registram contínua atividade sísmica até 1977.

Novas Técnicas
Na análise dos dados foram aplicadas as mais modernas técnicas e metodologias sismológicas existentes na atualidade, entre elas o processamento por matriz, técnica que permitiu identificar e distinguir as fontes dos sinais dos abalos lunares. Os cientistas conseguiram identificar como e por onde as ondas sísmicas passaram ou foram refletidas por elementos no interior da Lua, descobrindo a composição e estado das camadas em várias profundidades.
Apesar das sofisticadas missões de imageamento lunar terem feito significantes contribuições para o estudo da topografia, o interior do satélite natural da terra permaneceu sujeito a diversas especulações desde a Era Apollo. Os pesquisadores já haviam deduzido sobre a existência de um núcleo lunar com base em estimativas indiretas das propriedades do interior do satélite, mas muitos cientistas discordavam sobre a existência de camadas, o raio e sua composição.
A principal limitação do estudo sísmico lunar era o forte ruído causado pela sobreposição de sinais saltando repetidamente entre as estruturas da crosta fracionada da lua. Para vencer este desafio Weber empregou uma nova técnica chamada empilhamento de sismograma, uma espécie de particionamento digital dos sinais. O método melhorou a relação sinal-ruído e permitiu que os cientistas tivessem uma visão mais clara do caminho e do comportamento de cada sinal original que trafegou pelo interior lunar.
"Esperamos continuar trabalhando com os dados da missão Apollo para refinar nossas estimativas das propriedades do núcleo e deixar os sinais sísmicos o mais claro possível. Isso nos ajudará ainda mais a interpretar os dados coletados em futuras missões", disse a cientista.

Nova Missão
Uma das futuras missões a que se referiu Webber será a GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory), gerenciada pela Nasa. A missão será lançada este ano (2011) e consiste em duas naves gêmeas que orbitarão a Lua por diversos meses. O objetivo será medir de forma sem precedentes o campo gravitacional da Lua e permitirá aos cientistas responderem questões fundamentais sobre a crosta e núcleo da Lua, revelando as estruturas abaixo da superfície e a história térmica do nosso satélite.
O trabalho de Webber foi publicado essa semana pela revista Science e teve como coautores cientistas ligados às Universidade do Arizona, Universidade da Califórnia e do Instituto de Física do Globo, de Paris.